sábado, 28 de maio de 2011

Diferença entre aristocracia e oligarquia

A aristocracia e a oligarquia diferem também quanto aos fins, quanto à distribuição igualitária ou não do que pertence ao Estado. Falando mais diretamente da oligarquia (e indiretamente da aristocracia), diz Aristóteles: “Seus governantes distribuem sem equidade o que pertence ao Estado – todas ou a maior parte das coisas boas para si mesmos, e os cargos públicos sempre para as mesmas pessoas, olhando acima de tudo a riqueza; e destarte os governantes são poucos e maus, em lugar de serem os mais dignos” (Ética a Nicômacos, VIII, 10). 

Vê-se, portanto, que não basta simplesmente definir a aristocracia como o governo dos nobres, a menos que se subentenda, o que nem sempre é o caso, que estamos a falar de nobres de espírito, o que também é algo muito difícil de determinar, pois isso às vezes exige tempo. Sem falar nas oligarquias dissimuladas em aristocracias ou mesmo em democracias, cuja percepção exige poder de análise e espírito crítico.


DIFERENÇA ENTRE A DEMOCRACIA E A TIMOCRACIA:

Entre a timocracia e a democracia, ambos governos do povo ou da maioria, o desvio é pequeno: no primeiro caso, o princípio da igualdade é definido pelas posses, enquanto que, no segundo caso, todos, inclusive os despossuídos, são contados como iguais. 

Observação: a democracia corintiana, também conhecida como a democracia do Timão, não foi, ao contrário do que parece, uma timocracia, mas uma democracia, porque todos tinham direito ao voto, do dirigente ao roupeiro do clube.


DIFERENÇA ENTRE A MONARQUIA E A TIRANIA:

A monarquia é uma constituição, enquanto que a tirania é um desvio da monarquia, algo como uma anomalia grave. Como o objetivo do monarca é o bem-estar dos súditos e o objetivo do tirano é o seu próprio bem-estar, existe a maior diferença entre eles, ou o maior desvio que existe se dá na passagem da monarquia para a tirania, o que faz com que sejam, respectivamente, segundo o Aristóteles, a melhor constituição e o pior desvio. 

Maquiavel, que andava com a Ética a Nicômacos a tiracolo, conhecia muito bem essa diferença e a exercitou em  O Príncipe, o que já não se pode dizer de muitos tradutores e comentadores que apresentam a obra como se fosse uma apologia do desvio da monarquia.

  

P.s. Saiu, nesse setembro de 2011, minha tradução de O Príncipe de Maquiavel agora em formato de livro de bolso; tradução integral do original italiano. Em junho de 2012, saiu a segunda edição. Em março de 2015, a sexta edição.